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Estudo do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul sobre intoxicação por CO ganha destaque nacional

Pesquisa do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul identificou exposição ao monóxido de carbono em todos os 12 militares avaliados.

29/10/2026 às 13h13
Por: Redação Fonte: Paranaíba Notícia
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Foto: Reprodução/Internet
Foto: Reprodução/Internet

Um estudo inédito desenvolvido pelo Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) ganhou destaque nacional durante o 1º Seminário Nacional de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (SNPCIF), realizado em Brasília e promovido pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF).

A pesquisa investigou a exposição ao monóxido de carbono (CO) entre profissionais que atuam no combate a incêndios florestais e apontou riscos à saúde dos militares durante as operações.

O trabalho foi conduzido pelos tenentes-médicos Rodolfo Vagner Xaubet e Pietra Zorzo, integrantes da corporação sul-mato-grossense. A pesquisa analisou 12 bombeiros-alunos durante atividades práticas de um curso de combate a incêndios.

As medições foram realizadas antes e depois dos turnos de trabalho, utilizando um oxímetro portátil de alta precisão. Os índices identificados variaram de 2% a 12%, indicando exposição ao gás durante as atividades analisadas.

A iniciativa está ligada à atuação da Diretoria de Saúde (DS) do CBMMS, que inclui a Unidade de Resgate e Suporte Avançado (URSA), estrutura criada para oferecer suporte médico em ocorrências de alta complexidade. O trabalho reforça a integração entre conhecimento científico, atendimento operacional e prevenção de riscos ocupacionais.

Exposição ao monóxido de carbono

O monóxido de carbono é um gás inodoro e altamente tóxico, cuja inalação pode comprometer o transporte de oxigênio pelo organismo. Por não apresentar cheiro, sua presença pode passar despercebida durante o combate a incêndios, especialmente em ambientes com grande concentração de fumaça.

Os resultados mostraram que todos os 12 militares avaliados apresentaram níveis detectáveis de carboxiemoglobinemia, condição relacionada à ligação do monóxido de carbono à hemoglobina.

Segundo o tenente-médico Rodolfo Xaubet, a exposição pode se acumular ao longo dos turnos operacionais. O pesquisador também alertou que níveis elevados de carboxiemoglobinemia estão associados a possíveis danos cardiovasculares e que mesmo valores menores podem indicar estresse fisiológico.

O organismo tenta compensar a redução na disponibilidade de oxigênio aumentando as frequências cardíaca e respiratória. O coração está entre os órgãos que exigem atenção nesse cenário.

Essa resposta, entretanto, pode ampliar a ventilação e favorecer a absorção do próprio monóxido de carbono, agravando o desequilíbrio entre a oferta e o consumo de oxigênio pelos tecidos.

Conforme os pesquisadores, frequências cardíacas acima de 150 batimentos por minuto podem reduzir o tempo de enchimento das artérias coronárias, aumentando o risco de arritmias e de eventos cardiovasculares agudos.

Monitoramento e prevenção durante as operações

Um dos principais resultados do estudo é a proposta de utilizar métodos não invasivos e de baixo custo para monitorar a exposição ao monóxido de carbono durante as atividades operacionais. Na pesquisa, foi utilizado o oxímetro Rad-57®, equipamento que permite realizar medições rápidas.

De acordo com os autores, o dispositivo apresentou resultados com margem de erro mínima em comparação com a gasometria arterial, considerada referência para a avaliação em ambiente hospitalar.

A tenente Pietra Zorzo, coautora da pesquisa, destacou a importância de ampliar o conhecimento sobre o método e incentivar sua adoção por outras corporações. Segundo ela, a Unidade de Resgate e Suporte Avançado (URSA) já recebe consultas de equipes de outros estados interessadas em conhecer e reproduzir o modelo de atendimento.

A pesquisadora também ressaltou que a valorização da saúde ocupacional dos bombeiros contribui para melhorar a atuação em campo e proteger os profissionais. Entre as medidas apontadas estão a adoção de protocolos mais rigorosos de rodízio de efetivo, períodos de descanso e uso de equipamentos de proteção respiratória durante o combate a incêndios.

Os resultados reforçam três frentes de prevenção: o monitoramento sistemático da exposição ao CO, a revisão dos protocolos de descanso e revezamento e a capacitação dos militares para reconhecer sinais precoces de intoxicação e seus possíveis efeitos cardiovasculares.

Pesquisa pode contribuir para novos protocolos

O estudo também representa uma contribuição para a medicina de emergência e a saúde ocupacional militar, áreas nas quais os riscos da exposição progressiva ao monóxido de carbono ainda precisam ser mais investigados no contexto brasileiro.

A intoxicação pode comprometer o desempenho dos profissionais, provocar consequências à saúde a longo prazo e, em situações graves, resultar em complicações fatais. Por isso, os pesquisadores esperam que os dados ajudem a fundamentar novas diretrizes operacionais e campanhas internas de conscientização.

Rodolfo Xaubet afirmou que a pesquisa está em fase inicial e que a intenção é ampliar a investigação, incluindo mais participantes e diferentes cenários operacionais. O objetivo é produzir evidências científicas que auxiliem o Corpo de Bombeiros na tomada de decisões relacionadas à segurança e à saúde dos militares.

O trabalho faz parte de um mestrado na linha de Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional, desenvolvido com orientação dos doutores Eduardo de Castro Ferreira e Silvia Cristina Heredia Vieira, da Universidade Anhanguera-Uniderp.

Reconhecimento nacional

A apresentação no 1º Seminário Nacional de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais representou um reconhecimento à pesquisa desenvolvida em Mato Grosso do Sul e à atuação da Diretoria de Saúde do CBMMS na produção de conhecimento aplicado à rotina operacional.

Para o coronel Cezar, diretor da Diretoria de Saúde, o trabalho demonstra o compromisso da corporação com a proteção dos militares, o aperfeiçoamento dos protocolos de resposta e a busca por soluções baseadas em evidências científicas.

A pesquisa abre caminho para novas avaliações sobre a exposição ao monóxido de carbono durante incêndios florestais e reforça a importância de medidas preventivas para reduzir riscos à saúde dos profissionais que atuam diretamente no combate às chamas.

Tags: Corpo de Bombeiros MS, intoxicação por monóxido de carbono, incêndios florestais, saúde ocupacional, segurança dos bombeiros, pesquisa científica, CBMMS, prevenção de incêndios, combate a incêndios, Mato Grosso do Sul, Paranaíba Notícia.

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