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Da fábrica à vida cotidiana, celulose redesenha trabalho e renda em Três Lagoas

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LUIS VILELA
Quando entrou em um processo seletivo do Senai, Eugênio Dias enxergava poucas possibilidades de construir uma carreira em Três Lagoas. Naquele momento, o comércio parecia praticamente o único caminho disponível. Um curso técnico de seis meses mudou o horizonte.
A formação abriu a porta para seu primeiro emprego no setor de celulose. Dezesseis anos depois, aos 42, Eugênio trabalha como operador na área de secagem da Suzano, constituiu família na cidade e olha para trás como quem reconhece que uma escolha profissional acabou definindo boa parte da própria vida.
“Entrei na empresa em 2010, quando ainda era a antiga Fibria. Antes disso, participei de uma seleção no Senai, passei na prova e fiz um curso técnico de seis meses. Depois fui contratado para a área florestal e, mais tarde, passei em outro processo seletivo para a área industrial, onde estou até hoje”, relembra.
Foi também em Três Lagoas que conheceu a estabilidade necessária para fazer planos. A esposa é do município e os dois filhos, um casal, nasceram na cidade.
“Estou neste ramo há 16 anos e, sem sombra de dúvida, foi uma das melhores escolhas que fiz na vida. Espero permanecer por mais 16 anos”, diz.
O impacto aparece também na renda. “Não posso ser hipócrita e dizer que tudo o que tenho hoje não é devido ao ramo da celulose.”
A trajetória de Eugênio ajuda a dimensionar uma transformação que, depois de mais de 15 anos de industrialização, ultrapassou os portões das fábricas. A cadeia da celulose espalhou seus efeitos por transportadoras, oficinas, empresas de engenharia e tecnologia, restaurantes, laboratórios, serviços de automação e uma extensa rede de fornecedores.
O desafio agora é fazer com que uma parcela cada vez maior das oportunidades geradas permaneça em Mato Grosso do Sul — tanto na forma de empregos qualificados quanto de contratos para empresas locais.
É uma das frentes defendidas pelo Governo do Estado sob a gestão de Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição. A estratégia procura combinar atração de investimentos, qualificação profissional e fortalecimento de fornecedores sul-mato-grossenses, num momento em que Três Lagoas já se consolidou como um dos principais polos industriais do setor.
Uma indústria que movimenta a cidade inteira
A primeira unidade da atual Suzano entrou em operação em Três Lagoas em 2009. A Eldorado Brasil iniciou a produção em 2012 e uma segunda linha da Suzano foi inaugurada em 2017.
Juntas, as plantas instaladas no município têm capacidade para produzir mais de cinco milhões de toneladas de celulose por ano.
É uma escala que exige muito mais do que trabalhadores diretamente envolvidos na produção. As fábricas precisam de manutenção, transporte, alimentação, segurança, limpeza, recursos humanos, tecnologia, peças e serviços ambientais.
Quanto maior a participação de empresas da região nesses contratos, maior também a possibilidade de que o dinheiro gerado pela indústria continue circulando na economia local.
Em 2025, 532 pequenas e médias empresas sediadas em Três Lagoas forneceram produtos ou serviços à Suzano. Segundo a companhia, esses negócios movimentaram R$ 1,7 bilhão.
O número ganha outra dimensão quando sai das planilhas. Um contrato industrial pode permitir que uma oficina contrate funcionários, que uma empresa de alimentação amplie sua cozinha ou que um prestador de serviços tenha receita suficiente para investir e planejar os próximos anos.
Para um pequeno empresário, entrar na cadeia de uma grande indústria pode significar também um salto de profissionalização. Exigências relacionadas à segurança, qualidade, regularidade fiscal e cumprimento de prazos obrigam fornecedores a aprimorar processos e podem abrir portas para outros clientes.
Essa oportunidade, porém, não está igualmente ao alcance de todos.
Falta de capital, documentação, estrutura administrativa e orientação ainda dificulta a participação de pequenos negócios. Sem condições para competir, empresas locais podem ver contratos gerados dentro de Três Lagoas serem assumidos por fornecedores de outros estados.
Para Riedel, a atuação do poder público precisa avançar justamente sobre esse ponto.
“O papel do Estado, nesse ponto, não se limita à atração das grandes fábricas. Inclui criar condições para que empresas locais se formalizem, ampliem sua capacidade e disputem parte dos contratos gerados pela industrialização”, afirma.
Segundo o governador, a medida do desenvolvimento não deve ser apenas o volume produzido ou exportado, mas também sua repercussão sobre a economia local.
“O resultado precisa ser medido não apenas pelo valor exportado, mas pelo número de fornecedores locais, pelos postos mantidos e pela renda que permanece circulando no município.”
O crescimento visto do balcão de uma pequena empresa
O empresário Romulo Ojeda Diogo acompanha essa transformação desde 2011. Há mais de sete anos com uma empresa em Três Lagoas, ele também mantém uma filial em Inocência.
O negócio atua no comércio varejista e possui um centro de distribuição de utensílios para bares, lanchonetes e alojamentos — atividades diretamente afetadas pelo aumento da população, das obras e da procura por alimentação e hospedagem.
Romulo situa a chegada da Eldorado Brasil e de outras empresas ao Distrito Industrial como um momento decisivo desse ciclo.
“A gente acompanha esse crescimento desde 2011, com a implantação da Eldorado e de outras empresas. Foi quando começou esse grande desenvolvimento do setor de celulose, e desde então Três Lagoas segue evoluindo”, afirma.
Na avaliação do empresário, a expansão industrial aumentou a circulação de renda e abriu espaço para novos negócios. Ele também enxerga na retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados, a UFN3, outra possível fonte de demanda.
“O crescimento gera demanda por moradias, comércio e serviços, fortalecendo toda a economia local”, diz.
A expansão já ultrapassa os limites de Três Lagoas. Em 2023, Romulo abriu uma filial em Inocência, onde a construção da fábrica de celulose da Arauco acelerou a movimentação econômica.
“Inocência também sente um impacto muito grande. A gente acompanha de perto essa evolução e percebe como os investimentos estão movimentando toda a região.”
É a face mais visível do chamado Vale da Celulose, região formada por 12 municípios conectados à produção florestal, à indústria e à logística.
Criar vagas é apenas parte do desafio
A experiência de Eugênio mostra o que um emprego pode representar quando se transforma em carreira. Mas os próprios números do mercado de trabalho de Três Lagoas indicam que esse percurso ainda está longe de ser realidade para todos.
O município encerrou 2025 com 44.972 empregos formais e saldo positivo de 1.272 vagas. Parte importante das oportunidades veio do setor de serviços, impulsionado por uma indústria cuja influência vai muito além da produção direta de celulose.
Ao mesmo tempo, a taxa de rotatividade chegou a 66,4%, enquanto o tempo médio de permanência no emprego ficou em 13,9 meses.
Para quem sustenta uma família, um vínculo curto pode ter consequências concretas: dificulta assumir um financiamento, organizar despesas domésticas ou planejar os gastos com a educação dos filhos.
Por isso, a expansão do número de vagas resolve apenas uma parte do problema. A outra é criar condições para que trabalhadores permaneçam empregados, se qualifiquem e cheguem a funções com melhores salários e maior estabilidade.
Eugênio percorreu justamente esse caminho. Começou na área florestal, passou por um novo processo seletivo e chegou à operação industrial, onde trabalha atualmente.
As possibilidades dentro da cadeia são variadas: operações florestais, transporte, química, mecânica, eletrotécnica, automação, logística, segurança do trabalho e controle de qualidade.
O Senai ofereceu em Três Lagoas cursos técnicos em Mecânica, Automação Industrial, Celulose e Papel, Eletrotécnica, Logística e Química. O MS Qualifica também levou formações ligadas à produção de papel e às operações florestais.
No Estado, o programa anunciou 88 turmas destinadas a 1.420 trabalhadores, com investimento próximo de R$ 3 milhões.
A qualificação, entretanto, precisa resultar em inserção efetiva no mercado. O desafio não termina na entrega do certificado. Para avaliar o alcance dessas políticas, será necessário acompanhar quantos alunos conseguiram emprego, em quais funções foram contratados e quantos permaneceram trabalhando seis meses ou um ano depois.
Na estratégia estadual, as indústrias criam a demanda, enquanto os programas de formação tentam preparar quem já vive em Mato Grosso do Sul para ocupá-la.
Sem essa ligação, a economia pode crescer enquanto parte dos moradores continua distante justamente das vagas mais qualificadas.
Uma cidade de Mato Grosso do Sul ligada ao mercado mundial
A dimensão internacional dessa economia aparece nas exportações.
Em 2025, Três Lagoas exportou US$ 3,05 bilhões. Mais de 90% desse valor veio da celulose, enviada principalmente para a China, além de mercados como Estados Unidos, Holanda, Itália e Argentina.
A força das vendas externas demonstra o tamanho alcançado pelo setor, mas também expõe uma vulnerabilidade: a elevada dependência de um único produto.
Mudanças no preço internacional da celulose, no câmbio ou na demanda externa podem produzir efeitos sobre uma parcela significativa da economia local.
Uma das respostas em discussão é aprofundar a própria cadeia, fazendo com que mais peças, equipamentos, componentes e serviços utilizados pelas fábricas sejam produzidos dentro de Mato Grosso do Sul.
Em maio, o Governo do Estado assinou protocolo de intenções com o grupo chinês Broad Wire, que estuda instalar em Três Lagoas uma fábrica de arames utilizados no enfardamento da celulose.
O projeto ainda precisa cumprir etapas antes de se converter em investimento efetivo. A proposta, porém, exemplifica a tentativa de aproximar das produtoras fornecedores que hoje estão localizados em outros estados ou países.
“A lógica é reduzir custos de transporte para as fábricas e, ao mesmo tempo, gerar novos empregos e atividades industriais no Estado”, afirma Riedel.
A diversificação dos fornecedores também pode ter reflexos na vida de quem trabalha. Quanto maior o número de empresas integradas à cadeia, maiores as possibilidades de um profissional trocar de emprego sem deixar a cidade e de um pequeno negócio reduzir sua dependência de um único cliente.
Crescimento traz oportunidades — e também pressões
A experiência acumulada por Três Lagoas também demonstra que crescimento econômico não elimina automaticamente os problemas urbanos.
A chegada de empresas e trabalhadores aumenta a procura por moradia, pressiona o preço dos aluguéis, movimenta o trânsito e amplia a demanda sobre saúde, educação e formação profissional.
Os próprios dados sobre rotatividade mostram outro limite: criar empregos não significa necessariamente criar estabilidade.
Esse é um dos pontos centrais para a próxima etapa do desenvolvimento do município. Pequenos fornecedores precisam conseguir acesso à cadeia industrial; trabalhadores necessitam de cursos conectados às vagas realmente existentes; e o poder público precisa responder às pressões provocadas pelo crescimento sem permitir que as oportunidades econômicas sejam acompanhadas por uma deterioração dos serviços ou por um custo de vida cada vez mais difícil para a população.
Para o Governo do Estado, a estratégia é ampliar os vínculos das grandes indústrias com a economia sul-mato-grossense, aumentando as compras locais, atraindo fornecedores e formando trabalhadores para funções mais especializadas.
Isso significa olhar além dos números bilionários das exportações e dos anúncios de investimentos.
A medida concreta está também em quanto da renda continua circulando na cidade, quantos empregos deixam de ser temporários para se transformar em carreiras e quantos pequenos negócios conseguem crescer junto com as grandes fábricas.
Quando o emprego vira uma vida construída
Em Três Lagoas, a celulose já aparece muito além das chaminés e linhas de produção. Está na oficina que faz manutenção, no caminhão que transporta matéria-prima, no laboratório que acompanha processos industriais, na sala de aula que prepara técnicos e no comércio que atende quem chegou à cidade para trabalhar.
Para Eugênio, essa transformação pode ser contada de maneira ainda mais simples.
Um curso de seis meses levou ao primeiro emprego. O primeiro emprego abriu caminho para outra área. A permanência no setor trouxe renda, estabilidade e condições para construir uma família.
“Foi aqui que construí minha família”, resume.
A frase ajuda a colocar em perspectiva o desafio que permanece diante de Três Lagoas. Depois de mais de 15 anos de industrialização, o município já demonstrou a capacidade de uma grande cadeia produtiva de modificar sua economia.
A próxima etapa é fazer com que o crescimento se traduza, de maneira mais ampla, em histórias que durem tanto quanto a de Eugênio: empregos que virem carreiras, qualificação que resulte em trabalho, empresas locais capazes de crescer e uma cidade preparada para que a riqueza produzida em escala mundial também permaneça na vida cotidiana de quem mora nela.
Luís Vilela é jornalista formado pela UNIDERP Campo Grande (MS), atual em veículos de imprensa como Jornal O Estado de MS, rádio CBN Campo Grande, Jornal Tribuna Livre, Rádio Difusora e Rádio VALE FM. Vencedor de premios de Jornalismo FAMASUL e OCB/MS.

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Federações esportivas e representantes da cultura realizam ato de apoio à candidatura de Beto Pereira

Publicado
2 dias atrásem
21/09/2026Por
LUIS VILELA
Atletas, dirigentes de federações esportivas, artistas, carnavalescos e gestores públicos se reuniram no “Encontro do Esporte e Cultura”, promovido pelo deputado federal Beto Pereira (Republicanos-MS), em Campo Grande. O evento formalizou o apoio de representantes dos dois segmentos à candidatura do parlamentar e também abriu espaço para um balanço das ações construídas nos últimos anos.Durante o encontro, Beto destacou o esporte como instrumento de transformação social, inclusão e superação, além do papel da cultura na preservação da história, das tradições e da identidade sul-mato-grossense. “Precisam ser honrados e valorizados”, afirmou o deputado ao defender a continuidade dos investimentos nas duas áreas.
Participaram representantes da Federação Universitária de Esportes e das federações de Judô, Taekwondo, Voleibol, Muay Thai, Kickboxing, Futsal, Kart e Laço Comprido. O Carnaval foi representado pelas escolas de samba Vila Carvalho, Os Catedráticos do Samba, Igrejinha, Cinderela Tradição, Cruzeiro e Deixa Falar, ligadas à Lienca (Liga das Entidades Carnavalescas de Campo Grande), e pelo ABC (Aglomerado de Blocos de Rua de Carnaval de Campo Grande).
Também estiveram presentes a secretária de Turismo, Cultura e Esporte de Terenos e presidente do ABC, Eliane Nobre, e o secretário estadual de Turismo, Esporte e Cultura de Mato Grosso do Sul, Alessandro Menezes.
Mais de R$ 16 milhões para esporte e cultura
Ao longo de seus mandatos, Beto Pereira destinou, por meio de emendas parlamentares, mais de R$ 13 milhões para o esporte e outros R$ 3 milhões para a cultura em Mato Grosso do Sul. Os recursos ajudaram a viabilizar projetos, melhorar estruturas e ampliar o acesso da população a diferentes modalidades esportivas e manifestações culturais.
Ao falar da parceria construída com representantes desses segmentos, o deputado ressaltou que os avanços são resultado de um trabalho coletivo. “Aquilo que construímos juntos”, resumiu.
Carnaval: apoio que começa antes de a avenida ganhar vida
Um dos pontos destacados por Beto foi a articulação junto ao Governo do Estado para antecipar a liberação de recursos destinados às escolas de samba e aos blocos de Carnaval de rua de Campo Grande. Segundo o deputado, a mudança permitiu mais planejamento e melhores condições para a preparação das agremiações.
“A primeira conquista foi o Governo do Estado, no seu fomento, ter liberado o recurso no ano antecedente ao evento. Não ficávamos mais à mercê da liberação para as compras de fantasias em São Paulo”, explicou.
Beto também chamou a atenção para um novo desafio relacionado à estrutura do Carnaval da Capital. Com a reforma prevista para a Praça do Papa e a construção de uma unidade de saúde nas proximidades, a Passarela do Samba pode novamente enfrentar dificuldades para contar com um espaço fixo para os desfiles.
“Olha a importância de ter um representante”, afirmou o parlamentar, ao defender diálogo e articulação para garantir uma solução para as escolas e para o público.
“Beto acredita no nosso Carnaval”
O presidente da Lienca, Alan Catharinelli, reforçou o apoio das escolas de samba à candidatura e relembrou a parceria construída com o deputado.
“Nos 45 anos da Lienca, foi o primeiro a apoiar as escolas de samba. Temos essa grande gratidão a esse parceiro, Beto Pereira. Por isso, o Carnaval de Campo Grande é reconhecido por este apoio. Beto acredita no nosso Carnaval”, afirmou.
Catharinelli também destacou o trabalho desenvolvido junto às escolas Vila Carvalho, Os Catedráticos do Samba, Igrejinha, Cruzeiro e Deixa Falar.
Das quadras às pistas: investimento em diferentes modalidades
No esporte, Beto Pereira apresentou um balanço de ações realizadas com recursos de emendas parlamentares em diferentes modalidades. No taekwondo, destacou a parceria com a UFMS para a aquisição de equipamentos necessários à preparação dos atletas e à participação da seleção sul-mato-grossense em competições.
No futsal, o parlamentar apoiou a implantação de polos e escolinhas, ampliando o acesso à modalidade. Já no kart, destinou recursos para a recuperação da estrutura do kartódromo, que havia perdido condições de receber competições nacionais.
“Nosso kartódromo foi sede de evento internacional e estava sem condições, pelas más condições da pista, de receber provas nacionais”, afirmou Beto. O deputado ressaltou ainda que a realização de grandes competições movimenta hotéis, restaurantes, comércio e serviços, fazendo do esporte também um instrumento de desenvolvimento econômico.
Laço Comprido ganha espaço e fortalece tradição sul-mato-grossense
Ao abordar o Laço Comprido, Beto Pereira ressaltou a dimensão alcançada pela modalidade em Mato Grosso do Sul e sua ligação com a identidade cultural do Estado.
“Depois do futebol de campo, é o esporte mais praticado em MS. Está presente nos 79 municípios”, destacou.
O parlamentar também lembrou que os clubes de laço vão além das competições, abrigando iniciativas sociais e atividades de equoterapia, que ampliam o alcance da modalidade junto às famílias.
No judô, Beto reafirmou o compromisso de manter o apoio aos atletas, projetos e entidades responsáveis pela formação de novos talentos, com o objetivo de continuar fomentando a modalidade “e fazendo com que ela cresça”.
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MS avança no governo digital e mira atendimento integrado sem excluir quem está desconectado

Publicado
5 dias atrásem
18/09/2026Por
LUIS VILELA
Para quem precisa resolver uma demanda do Estado, tecnologia só faz sentido quando transforma tempo perdido em tempo devolvido. Um serviço público que cabe no celular pode significar menos etapas, menos burocracia e uma relação mais direta com o governo. Mas essa mesma transformação cria uma exigência: ninguém pode depender exclusivamente de uma tela quando a conexão ainda não chega com a mesma qualidade a todos os lugares ou quando o acesso digital continua sendo uma barreira.
É nesse ponto que a agenda de transformação digital entra no Plano de Governo 2027–2030 do governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição. A proposta parte de uma estrutura que já reúne mais de 700 serviços públicos disponíveis em sites ou smartphones e coloca Mato Grosso do Sul entre os dez estados mais digitais do país.
A próxima etapa pretende ir além de colocar procedimentos na internet: “o objetivo é integrar serviços, simplificar processos e manter canais de atendimento capazes de alcançar também quem ainda enfrenta limitações de conectividade”, explica Riedel.
O Estado que cabe no celular
A digitalização já aparece como uma política transversal: escolas com lousas digitais e laboratórios de robótica, telemedicina conectando especialistas aos usuários do SUS e sistemas integrados de monitoramento usados na segurança pública e no acompanhamento dos impactos do clima. Tudo isso aliado a fibra óptica nos 79 municípios e um modelo de gestão por resultados com indicadores acompanhados em tempo real.
Detran e Iagro são exemplos de órgãos que ampliaram a aplicação de tecnologia em larga escala nos processos e no atendimento ao cidadão. Esse movimento está associado à ampliação da acessibilidade digital, à simplificação de processos e à construção de um serviço público mais acessível, ágil, assertivo e transparente.
Esse avanço ajuda a explicar por que a transformação digital ocupa uma dimensão própria na arquitetura do próximo mandato. A proposta de Riedel é construir uma administração centrada no cidadão, combinando tecnologia, simplificação de processos, uso inteligente de dados e melhoria contínua dos serviços públicos. Na prática, a mudança pretendida é menos sobre informatizar a máquina e mais sobre reorganizar a relação entre governo e população.
Digitalizar não basta
Há uma diferença importante entre a etapa já percorrida e a que pretende executar entre 2027 e 2030: a próxima fase consiste em transformar os serviços públicos, e não apenas digitalizá-los. A experiência pretendida deve reunir serviços simples, intuitivos e personalizados, apoiados pela integração entre órgãos, inteligência artificial, automação e diferentes formas de atendimento.
Riedel propõe implantar um novo Plano de Transformação Digital, digitalizar integralmente os principais serviços públicos estaduais e reunir plataformas e atendimentos em um ambiente digital único. Antes disso, os processos administrativos deverão ser revistos e simplificados. O desenho inclui ainda uma identidade digital única e segura, padrão visual e de usabilidade comum aos canais do Estado e fortalecimento da infraestrutura tecnológica e da segurança da informação.
A inteligência artificial também entra no centro dessa próxima etapa. O Plano de Governo prevê ampliar seu uso na prestação dos serviços e aprofundar a interoperabilidade entre os sistemas governamentais. “A intenção é fazer com que informações e estruturas hoje distribuídas entre diferentes órgãos possam integrar uma experiência de atendimento mais simples e articulada para o cidadão”, aponta o governador.
Mas a proposta não limita o atendimento ao ambiente digital. Entre as ações previstas estão a expansão de mecanismos multicanais e de autoatendimento, a garantia de acessibilidade digital e a implantação de uma gestão sistemática da experiência e da satisfação do cidadão. É justamente nesse ponto que a modernização tecnológica encontra uma questão social: ampliar o serviço digital sem transformá-lo em uma nova barreira para quem enfrenta dificuldades de acesso.
Conexão também é inclusão
A infraestrutura é a base dessa mudança. Nos últimos anos, Mato Grosso do Sul ampliou investimentos em conectividade, redes de comunicação e infraestrutura digital. Para o próximo ciclo, o compromisso é ampliar a cobertura em todo o território estadual e reduzir desigualdades de acesso à conectividade.
A conexão passa, assim, a ser tratada como parte da política de inclusão e desenvolvimento regional. As propostas incluem fortalecer redes digitais de alta capacidade, estimular a expansão das telecomunicações em áreas estratégicas, apoiar infraestrutura para cidades inteligentes e integrar conectividade às políticas de educação, saúde, segurança e inovação.
Essa combinação é decisiva para o sentido humano da proposta. Um governo digital só se torna de fato mais acessível quando a porta virtual não se torna a única porta e quando a infraestrutura acompanha a expansão dos serviços. Por isso, o atendimento multicanal e a ampliação da conectividade funcionam como duas faces da mesma estratégia: criar novas possibilidades para quem já está conectado e, simultaneamente, diminuir as desigualdades que ainda afastam parte da população do universo digital.
O projeto de Eduardo Riedel no setor tem direção definida: ampliar as redes e fazer da conectividade uma base para serviços públicos, inclusão e desenvolvimento regional.
Dados para antecipar demandas
Outra mudança pretendida ocorre longe da tela do usuário, mas poderá influenciar a forma como o Estado organiza suas respostas. A gestão quer ampliar o uso de dados para integrar informações, acompanhar resultados e antecipar demandas. O projeto destaca o fortalecimento do Centro de Inteligência GOVMS e propõe uma política estadual de governança das bases de dados.
Entre 2027 e 2030, a intenção é identificar, integrar, minerar e harmonizar bases estratégicas do governo, desenvolver painéis para monitorar indicadores, ampliar o emprego de inteligência analítica na formulação das políticas e adotar mecanismos de gestão preditiva. “Em vez de utilizar os dados apenas para acompanhar o que já aconteceu, a proposta é empregá-los também na antecipação de demandas e na orientação das decisões públicas”, pontua o governador.
Para o cidadão, essa é talvez a parte menos visível e mais ambiciosa da transformação digital. A integração das informações pretende criar condições para que o Estado organize melhor suas políticas e seus serviços antes mesmo de o resultado aparecer na tela de um computador ou de um celular. “É a tecnologia deixando de ser apenas um canal de atendimento para se tornar também instrumento de planejamento e tomada de decisão”, reforça.
A passagem de um governo com centenas de serviços digitais para um governo integrado, acessível e capaz de usar inteligência artificial e dados de forma preditiva ainda pertence ao campo das propostas. A base tecnológica avançou durante a atual gestão; para 2027–2030, o plano aposta em consolidar essa infraestrutura, integrar sistemas e fazer com que a tecnologia aproxime o atendimento da rotina das pessoas.
No fim, o teste dessa transformação não estará apenas no número de serviços digitalizados ou de novos canais tecnológicos. Estará na capacidade de resolver uma demanda com menos barreiras e, ao mesmo tempo, manter o Estado acessível para quem ainda não consegue entrar pela porta digital. É nessa combinação entre tecnologia e inclusão que a ideia de governo na palma da mão pretende ganhar dimensão cotidiana.
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Caminhão de grãos tomba na BR-158 entre Paranaíba e Aparecida do Taboado

Publicado
1 semana atrásem
14/09/2026Por
LUIS VILELA
Um caminhão carregado com grãos tombou na noite desta segunda-feira (14), no km 80 da BR-158, entre Paranaíba e Aparecida do Taboado.
Apesar do tombamento, não houve registro de vítimas. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre o que teria provocado o acidente.
Equipes da Way, concessionária responsável pelo trecho da rodovia, foram acionadas para realizar o atendimento à ocorrência.
Com o tombamento, uma das pistas ficou interditada pelo veículo e pela carga que se espalhou sobre a rodovia. Para organizar o fluxo de veículos, foi necessário implantar o sistema de pare e siga no local.
Motoristas que passam pelo trecho devem redobrar a atenção e respeitar a sinalização e as orientações das equipes que atuam no atendimento da ocorrência.
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